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Pensamento eficaz: como criar espaço para tomar decisões melhores

Foto do escritor: Vanessa Benelli
Vanessa Benelli
há 10 minutos
4 min de leitura

Todos os dias tomamos milhares de pequenas decisões. Algumas parecem irrelevantes, enquanto outras produzem consequências importantes. Os resultados que alcançamos ao longo do tempo decorrem desse sistema de escolhas. Por isso, desenvolver a capacidade de pensar com clareza antes de agir pode melhorar a qualidade das nossas decisões e, por consequência, os resultados.


Em Pensamento Eficaz, Shane Parrish parte dessa ideia para analisar como podemos melhorar as decisões. O ponto central está em criar um espaço entre o que acontece e a nossa reação. Emoções, ego, influência social e padrões de comportamento podem interferir nesse processo. Quando reconhecemos e identificamos esses mecanismos, conseguimos agir de maneira mais consciente.


Muitas vezes, protegemos nossas ideias, nossa posição ou a imagem que construímos sobre nós mesmos. Esse comportamento pode dificultar a percepção dos riscos e limitar nossa capacidade de adaptação. Admitir que estamos errados exige coragem. Precisamos reconhecer nossas fraquezas e aceitar que outras pessoas podem apresentar ideias melhores. Essa abertura amplia nossa capacidade de adaptação e pode produzir resultados melhores.


A autoconfiança contribui para esse processo quando vem acompanhada de humildade, pois permite reconhecer forças e fraquezas, aceitar limitações e enxergar o cenário com maior clareza. A confiança sem humildade pode se transformar em excesso de confiança e aumentar nossa exposição aos riscos.


O autor apresenta quatro padrões que interferem no pensamento:

Emocional

Aparece quando reagimos de acordo com nossas emoções sem racionalizar adequadamente os fatos e o contexto.

Ego

Surge quando percebemos uma ameaça à nossa identidade, visão de mundo ou posição e passamos a defender nossa ideia em vez de avaliar os riscos.

Social

Decorre do nosso instinto de pertencimento. A necessidade de fazer parte de um grupo pode influenciar nossas decisões.

Inércia

Surge de hábitos de pensamento, comportamento e ação que funcionaram no passado e passam a criar resistência à mudança.

 

O primeiro passo é reconhecer esses padrões. Após esse reconhecimento, precisamos criar mecanismos para evitar que eles determinem automaticamente nossas ações. Por isso a autorresponsabilidade tem um papel central nesse processo, pois sempre existe algo que podemos fazer para melhorar nossa situação.


Essa perspectiva desloca a atenção da reclamação para a ação. O autor tem uma frase que serve como um mantra: reclamar não é uma estratégia. Mesmo quando uma ação não resolve completamente um problema, ela pode melhorar ou piorar a situação. Assim, precisamos avaliar qual atitude pode produzir uma posição melhor para o futuro.


A autorresponsabilidade envolve assumir erros relacionados à nossa vida, ainda que eles não decorram exclusivamente de uma falha nossa. Depois de reconhecer o erro, precisamos aprender com ele, planejar uma execução melhor e reparar eventuais danos.


O pensamento eficaz depende de práticas concretas. Uma delas consiste em registrar aquilo que pensamos sobre determinado problema e revisar essas anotações no dia seguinte. Outra consiste em perguntar a cada pessoa envolvida o que ela sabe que os demais não sabem. Essa abordagem pode revelar informações relevantes que permanecem dispersas entre diferentes participantes.


A qualidade da informação também influencia a qualidade da decisão. Precisamos conhecer o assunto com profundidade, selecionar informações relevantes e conversar com especialistas.


Nesse ponto, existe uma diferença importante entre especialistas e imitadores. O especialista busca aprimorar continuamente seu conhecimento, reconhece aquilo que sabe e aquilo que ainda não sabe e consegue identificar os limites da própria compreensão. O imitador procura parecer bom, recorre a jargões e apresenta dificuldade para distinguir os limites do próprio conhecimento e explicar aquilo que sabe com simplicidade.


Também precisamos diferenciar soluções de curto e longo prazo. Uma solução imediata pode produzir algum resultado sem reduzir efetivamente o problema. Por isso, vale construir pelo menos três alternativas e analisar os cenários associados a cada uma. Essa análise deve considerar tanto os ganhos quanto os aspectos negativos. Além disso, precisamos antecipar possíveis problemas e preparar respostas para situações que possam surgir. Essa preparação aumenta a qualidade da escolha e facilita ajustes posteriores.


Uma decisão pode ser avaliada a partir de dois elementos: consequências e reversibilidade. Algumas decisões apresentam baixo risco e podem ser facilmente revertidas. Outras envolvem consequências relevantes e difíceis de reverter. Quando o custo da mudança é baixo, podemos decidir rapidamente. Essa velocidade preserva tempo, energia e recursos para decisões que realmente exigem maior atenção. Quando as consequências são relevantes e a decisão apresenta alto grau de irreversibilidade, precisamos reunir mais informações antes de agir.


O momento da decisão também importa. Podemos aguardar quando novas informações ainda podem contribuir para a escolha. Quando já não existem informações relevantes a acrescentar, esperar pode apenas adiar a decisão.


O mesmo raciocínio vale para decisões cujo custo de não decidir é baixo. Nesses casos, podemos deixar a questão para depois e direcionar nossa energia para assuntos mais importantes.


As decisões efetivas produzem resultados específicos. Boas decisões também estão alinhadas aos nossos valores e objetivos profissionais e pessoais. Por isso, uma decisão pode produzir o resultado esperado e ainda assim não representar uma boa escolha. Avaliar uma decisão exige considerar tanto sua efetividade quanto sua coerência com aquilo que pretendemos construir.


Pensar com clareza também depende da capacidade de executar aquilo que decidimos. A inspiração e a empolgação podem motivar o início de uma atividade. A disciplina e a rotina sustentam a continuidade necessária para alcançar objetivos. Fazer aquilo que precisa ser feito, apesar dos sentimentos do momento, contribui para a construção dos resultados esperados.


Podemos criar rituais para facilitar esse comportamento. Um ritual consiste em uma sequência de atos previamente pensados e planejados que repetimos de maneira consistente. Essa estrutura reduz o esforço cognitivo e facilita a execução.


Os padrões de excelência também orientam esse processo. Quando estabelecemos padrões claros para aquilo que fazemos, criamos referências que ajudam a manter a qualidade e a aperfeiçoar nossa atuação.


Pensar eficazmente envolve mais do que saber o que fazer. Envolve criar espaço para analisar a realidade, reconhecer os fatores que interferem no nosso julgamento, assumir responsabilidade pela situação, avaliar alternativas e agir de acordo com nossos objetivos. A evolução pode ser medida pela comparação com nossa própria versão anterior. Ser melhor do que fomos no dia anterior representa uma forma concreta de vitória.


Existe sempre alguma coisa que podemos fazer hoje para melhorar nossa posição amanhã. Se você quer aprofundar a reflexão sobre como pensamos, decidimos e agimos diante dos desafios, Pensamento Eficaz, de Shane Parrish, é uma leitura que vale a pena. O livro apresenta ferramentas para reconhecer os fatores que interferem no nosso julgamento e criar melhores condições para tomar decisões mais conscientes e eficazes.

 
 
 

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