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Primeiras impressões e comunicação não verbal: as habilidades que todo advogado deveria desenvolver

  • Foto do escritor: Vanessa Benelli
    Vanessa Benelli
  • 12 de jul.
  • 3 min de leitura

Muito antes de um advogado demonstrar seu conhecimento técnico, sua comunicação não verbal já começa a transmitir mensagens. Em entrevistas, eventos, reuniões, despachos ou sustentação oral, a forma como você se apresenta e se expressa influencia a maneira como os clientes, colegas e demais profissionais percebem a sua competência, segurança e credibilidade.


Quando pensamos em comunicação, é comum associá-la à forma verbal ou escrita. Na contramão dessa associação intuitiva, estudos sobre inteligência emocional, inteligência social e linguagem corporal demonstram que uma parcela significativa da mensagem é transmitida por elementos não verbais, como postura, aparência, expressões faciais, contato visual e gestos. Daniel Goleman destaca que nossas relações são profundamente influenciadas pela maneira como percebemos e interpretamos esses sinais, enquanto Henzi Ozi Cukier aponta que a comunicação não verbal constitui uma das principais ferramentas para gerar conexão, confiança e credibilidade


Desenvolver consciência sobre esses aspectos não significa interpretar cada gesto de forma isolada ou tentar controlar artificialmente todos os movimentos do corpo. O objetivo é compreender que a comunicação é formada por diversos elementos e que todos eles influenciam a construção de relacionamentos profissionais.


Por isso, precisamos ter atenção a esses elementos da comunicação não verbal, pois eles são os responsáveis por transmitir aos outros as primeiras impressões. A formação desse julgamento inicial acontece muito mais rápido do que imaginamos.


Em "Blink: A decisão num piscar de olhos", Malcolm Gladwell explica que nosso cérebro é capaz de formar julgamentos extremamente rápidos sobre pessoas e situações. Em poucos segundos, criamos hipóteses sobre competência, confiabilidade, simpatia e segurança, antes mesmo de uma análise racional mais aprofundada. A cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, tem uma frase interessante sobre isso: "a primeira impressão nunca é neutra."


Isso não significa que essas impressões sejam sempre corretas. Elas podem ser modificadas à medida que conhecemos melhor uma pessoa. No entanto, ignorar sua influência seria um erro, pois elas costumam orientar a forma como os relacionamentos profissionais começam a ser construídos. Além disso, nem sempre teremos uma segunda oportunidade de desfazer uma má impressão.


A apresentação pessoal e o ambiente comunicam antes mesmo da primeira fala. Uma vestimenta adequada ao contexto, um espaço de trabalho organizado e um cenário profissional em reuniões virtuais reforçam a credibilidade e favorecem a construção da confiança desde o primeiro contato.


A boa comunicação não depende de técnicas complexas. Muitas vezes, pequenas mudanças produzem resultados significativos. Entre elas, destacam-se:

  • manter contato visual de maneira natural, demonstrando atenção ao interlocutor;

  • utilizar um sorriso espontâneo quando adequado ao contexto;

  • adotar uma postura aberta e receptiva;

  • controle a expressão facial para não parecer cansado, irritado ou desinteressado;

  • vista-se de forma adequada ao ambiente e ao objetivo do encontro;

  • evitar interrupções durante a fala da outra pessoa.


Existe outro aspecto da comunicação que costuma receber menos atenção: a escuta. Muitas pessoas acreditam que se comunicar bem significa apenas falar bem. Na prática, bons comunicadores também sabem ouvir. Daniel Goleman afirma que a escuta verdadeira exige sintonia com o interlocutor. Em "Inteligência Social”, o autor explica que ouvir não significa apenas permanecer em silêncio enquanto o outro fala, mas compreender seus sentimentos, necessidades e intenções.


Na advocacia, essa habilidade faz diferença desde a primeira reunião com o cliente. Uma escuta atenta permite compreender melhor os fatos, identificar informações relevantes e construir soluções mais adequadas para cada situação. Além disso, ouvir demonstra respeito, fortalece vínculos de confiança e melhora significativamente a qualidade das negociações, das reuniões e do trabalho em equipe.


Outro aspecto importante é a forma como administramos nossas próprias emoções durante uma conversa. Daniel Goleman explica que pessoas emocionalmente inteligentes conseguem controlar impulsos, lidar melhor com situações de pressão e adaptar sua comunicação às circunstâncias. Em momentos de conflito, essa capacidade evita reações precipitadas e favorece respostas mais equilibradas.


Na prática, isso significa que uma comunicação eficiente não depende apenas do domínio da linguagem corporal. Ela também exige autoconsciência para perceber as próprias emoções, autocontrole para administrar reações impulsivas e empatia para compreender a perspectiva do outro.


Essas competências são especialmente relevantes na advocacia, profissão marcada por negociações complexas, conflitos de interesses e tomadas de decisão sob pressão.


O conhecimento técnico continua sendo indispensável para o exercício da advocacia. Entretanto, dificilmente ele produzirá todo o seu potencial se não vier acompanhado de uma comunicação eficiente. Além disso, a comunicação não verbal, escuta ativa, inteligência emocional e presença profissional constituem um conjunto de comportamentos que podem ser desenvolvidos por meio de estudo, prática e autoconsciência. Assim como aprimoramos nossos conhecimentos técnicos ao longo da carreira, também podemos aperfeiçoar a forma como nos comunicamos e construímos relacionamentos profissionais mais sólidos.

 
 
 

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