Planejar ou não planejar, eis a questão.
- Vanessa Benelli
- 4 de jan.
- 3 min de leitura

Todo início de ciclo — um novo ano, um novo projeto, uma nova fase profissional — costuma vir acompanhado de uma força que impulsiona o planejamento – ou pelo menos a ideia dele. Muitos recorrem a diferentes instrumentos: planilhas, listas, agendas, tabelas, cronogramas e aos famosos planners.
Para outros, o planejamento ainda é visto como algo opcional, meramente formal e sem muita importância. Talvez isso aconteça porque associam o planejamento a um exercício teórico distante da realidade prática ou algo que imprima muita rigidez à vida.
Esse texto é um convite para os dois grupos de pessoas, pois vamos avaliar rapidamente alguns efeitos que o planejamento (ou a ausência dele) produz na nossa rotina.
Planejar não significa prever todos os cenários possíveis nem eliminar imprevistos. Significa criar referências mínimas para orientar decisões, organizar os compromissos, priorizar esforços e avaliar resultados ao longo do caminho. Do ponto de vista prático, o planejamento cumpre ao menos 3 funções relevantes:
(A) organização das ações e definição das prioridades: quando não há um plano minimamente estruturado, todas as demandas podem parecer urgentes – ou não urgentes. Sem estabelecer algum nível de organização e critério, temos a tendência de reagir aos acontecimentos conforme o surgimento das demandas, sem avaliar a urgência e a importância. De outro lado, o planejamento permite distinguir o que é realmente urgente, reduzindo o risco de dispersão e retrabalho. Já ouviu falar sobre a Matriz de Eisenhower? Ele criou uma forma interessante para ajudar a distinguir tarefas realmente urgentes e importantes daquelas que podem esperar um pouco mais. Conheça um pouco sobre ela clicando aqui.
(B) racionalização do tempo e da energia: a ausência de planejamento costuma gerar sobrecarga, atrasos, sensação improviso, retrabalho, perda de prazos, feedbacks negativos. O planejamento é a ferramenta que permite evitar esses problemas, ajudando a distribuir atividades, antecipar etapas e reduzir decisões equivocadas. Planejar não elimina o esforço, mas o torna mais consciente e direcionado. Tem um livro maravilhoso para nos ajudar nessa racionalização: Pensamento Eficaz, do Shane Parish. Se você ainda não leu, corre porque cada página vale muito a pena. Foi o primeiro livro indicado no Instagram da Pauta Tributária.
(C) avaliação de resultados e revisão das ações: sem planejamento, não há métricas e parâmetros. Não se sabe se houve avanço, estagnação ou retrocesso, porque não existe um ponto de comparação. O planejamento ajuda na identificação de critérios objetivos para analisar o percurso, ajustar estratégias e corrigir desvios antes que eles se tornem problemas maiores.
A falta de planejamento também produz efeitos concretos, ainda que menos visíveis em um primeiro momento. Para manter o padrão do nosso texto, vamos mencionar 3 problemas da falta de planejamento:
(A) sobrecarga mental: concentrar tarefas, prazos e compromissos apenas na memória, sem registro em agenda ou definição de horários gera um esgotamento mental em razão do acúmulo de informações “soltas”. Assim, o profissional fica em estado constante de alerta, consumindo energia cognitiva que deveria ser direcionada à execução das atividades. O planejamento reduz esse ruído ao externalizar demandas, organizar o tempo e criar previsibilidade mínima para a rotina.
(B) perda de tempo, oportunidades e sensação de descontinuidade: projetos começam, mas não se desenvolvem; estudos são iniciados, mas não são concluídos; ideias surgem, mas morrem na praia. Sem um plano que conecte ações no tempo (cronograma), o esforço tende a se fragmentar. A ausência de planejamento dificulta a construção de consistência. Além disso, o tempo não é aproveitado integralmente. Resultados pontuais até podem surgir, mas dificilmente se sustentam. O crescimento profissional, especialmente em áreas técnicas como o Direito Tributário, depende de método e constância — elementos que dificilmente se desenvolvem sem algum grau de planejamento.
(C) acúmulo de decisões de curto prazo: quando tudo é resolvido sem planejamento, o profissional passa a gastar tempo e energia com todas as demandas, deixando de se concentrar em casos urgentes e importantes. Isso compromete a qualidade do trabalho e aumenta o desgaste mental.
E a ausência de planejamento apresenta algum efeito positivo? Poderíamos pensar na espontaneidade e flexibilidade. Mas esses aspectos são circunstanciais e temporários. Se não houver algum grau de organização, tendem a ser superados pelos efeitos negativos.
Planejar, portanto, não é engessar a rotina nem criar um roteiro inflexível. É estabelecer um norte. Um plano bem construído serve como referência, não como prisão. Ele pode — e deve — ser ajustado conforme a realidade se impõe. Com planejamento, as escolhas tendem a ser mais conscientes e podemos nos preparar para os imprevistos, organizando as ações necessárias para alcançar os resultados desejados. Como diz uma frase cuja autoria é atribuída à Sêneca: “Não há vento favorável para quem não sabe para onde vai.”



Comentários